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12.29.2006

Consumo de álcool e Suicídio em Portugal

Ole-Jørgen Skog, Zélia Teixeira, Jose Barrias e Rui Moreira publicaram, em 1995, em Addiction Volume 90 Issue 8 – Agosto - um artigo vinculando o consumo de alcool às taxas de suicídio. Os dados, que cobriram quase seis décadas e 18 regiões de Portugal, terminam em 1989, muito antes, portanto, do experimento português de descriminalização geral das drogas, que começou em julho de 2001.


A análise temporal sugere que para cada aumento de um litro no consumo de bebidas alcoólicas corresponde um aumento de 1,9% na taxa de suicídios. Os autores sublinham que o aumento é semelhante ao observado na França e na Dinamarca, mas menor do que o constatado na Noruega, Suécia e Hungria.


Os dados espaciais produzem outros resultados, diferentes. No nível bivariato há uma substancial correlação negativa (como na análise temporal), porém quando a integração familiar e a religião são controladas, a correlação entre os resíduos não é estatisticamente significativa, ainda que negativa.


Considero a possibilidade de que o alcoolismo funcione como variável interveniente e que boa parte da perda da religião e da dissolução da família sobre o suicídio se faça através do aumento do alcoolismo.

O estudo é relevante do ponto de vista das teorias do crime porque as variáveis explicativas - alcoolismo, integração familiar e religião - também fazem parte do arsenal analítico da Criminologia.

10.19.2006

Políticas públicas, alcoolismo e suicídio

A internet permite que os pesquisadores busquem dados em lugares diferentes do mundo. Pesquisando as conexões entre o consumo de bebidas alcoólicas e as taxas de suicídio, voltei às antigas repúblicas membras da União Soviética, que servem como laboratórios devido à política de redução do consumo de álcool implementada por Gorbatchev. A Látvia é um exemplo claro: o gráfico ao lado, parte de um excelente estudo de E. Rancans, E. Salander Renberg e L. Jacobsson que analisou as taxas de suicídio entre 1980 e 1998, demonstra claramente o" efeito Gorbachev" (a baixa no consumo de álcool e na taxa de suicídio) e do seu abandono ( alta nas duas taxas). Depois do desastre que seu abandono e o crescimento do capitalismo selvagem provocaram, vieram novas políticas públicas mais inteligentes e o resultado se fez sentir: caíram os suicídios, outra vez. Uma das linhas se refere ao consumo de álcool e outra à taxa de suicídios. O primeiro ano, do lado esquerdo, é 1980 e o último, do lado direito, é 1998.
O estudo, "Major demographic, social and economic factors associated to suicide rates in Latvia 1980–98" foi publicado na Acta Psychiatr Scand 2001: 103: 275–281.

Algumas observações são necessárias:

  • as políticas públicas afetam o comportamento dos indivíduos, saibam êles ou não;
  • os gráficos representam vidas humanas salvas ou perdidas;
  • quem bebe além da conta, sobretudo os que praticam o binge drinking (tomar porre, beber muito de uma só vez) aumenta muito o risco de doença grave, suicídios, acidentes e homicídios
Em alguns países o suicídio é crime. Não coloquei o exemplo aqui porque acredite que seja ou deva ser crime, mas porque segue o mesmo tipo de relação com políticas públicas que alteram o consumo do álcool, limitando o seu excesso, que os homicídios, a violência doméstica e os acidentes.


Tente ajudar alguém e é possivel que sua própria vida fique mais bonita.