Um espaço para discussão - em Portugues e outros idiomas - das teorias contemporâneas do crime, pensado, também, como um curso gratuito para interessados que sigam as leituras. Para ver um gráfico em maior detalhe clique duas vezes nele

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12.25.2006

Suicídios no mundo

As taxas de suicídio variam muito entre países; porém, os da Europa, particularmente da ex-URSS, assim como o Japão, a China e a Austrália, são muito altos. Entre os países do hemisfério americano, apenas Cuba figura entre as taxas mais altas.


Há muitos países sem estatísticas confiáveis (quase toda a África, por exemplo) e as conclusões são limitadas aos países com um mínimo de organização política que inclua a produção de estatísticas confiáveis.

Porém, o fato de certas regiões terem taxas mais altas não implica em outras semelhanças. Os tipos de suicídio, suas relações com outras variáveis (como a idade e o gênero) variam muito. Analiticamente, esses padrões de relações são muito importantes.
Os suicídios entram no estudo das teorias do crime porque são considerados crimes em algumas sociedades e porque são um comportamento violento intencional como vários crimes; tanto do ponto de vista psicológico, quanto do ponto de vista sociológico, a relação entre suicídio e homicídio tem sido objeto de especulações teóricas.

12.04.2006

Suicídios, gênero, idade

Dados relativamente recentes produzidos pela OMS ajudam a elucidar a conhecer os padrões dos suicídios, o que fornece subsídios para políticas públicas que visem evitá-los.

O mapa ao lado (e seus comentários) mostra que as taxas de suicídio tendem a

  • aumentar com a idade
  • porém, aumentam mais entre os homens
  • saltam após os 65
  • porém o salto é forte apenas entre os homens
  • em todas as idades conscientes, a taxa é mais elevada entre os homens

Essas constatações fornecem importantes subsídios para continuar desenvolvendo as teorias sobre o suicídio. Estabelecem, também, os limites das teorias que tentam integrar homicídios e suicídios, dados pela composição etária: o homicídio é um fenômeno jovem (tanto algozes quanto vítimas), ao passo que o suicídio é um fenômeno que cresce muito na terceira idade masculina.

11.28.2006

Armas de fogo, suicídios de jovens e teorias de oportunidade

OS FACTÓIDES QUE ABREM A QUESTÃO

* A eficiencia das armas de fogo se reflete no fato de que para cada suicídio que se materializa há menos de um que fracassa
* Nos Estados Unidos, em 1992, um jovem entre 10 e 19 se suicidou com arma de fogo cada seis horas (1.426 num ano)
* O CDC informa que o aumento na taxa de suicídios se deve ao uso de armas mais letais (de fogo)
* Entre 1980 e 1992, nos USA, a taxa de suicidios entre 15 e 19 aumentou 26,3%, mas entre 10 e 14 aumentou 120%; entre negros 15 a 19 o aumentou foi de 165,3%
* As armas de fogo sao responsáveis por 81% do aumento no suicídio de jovens
* A existência de uma arma de fogo em casa dobra a probabilidade de que um adolescente se suicide
* Entre 1960 e 1980, o número de mulheres que se mataram usando armas de fogo mais do que dobrou, ao passo que o número das que usaram outros meios aumentou em 16%
* A maioria dos suicídios de teenagers é “ impulsiva”, não planejada, e 70% ocorrem em casa


A explicação para a relação entre armas de fogo e suicídio

* Suicídio e homicídio têm "janela", um impulso auto-destrutivo e/ou vingativo que não dura para sempre; tem prazo de validade.
* Durante essa janela, o acesso a armas de fogo multiplica o risco de morte
* Passada a janela, o impulso suicida ou homicida se reduz ou, até mesmo, acaba

Esses dados apoiam as teorias explicativas baseadas no conceito de oportunidade.

Álcool no sangue de suicidas

Uma pesquisa recente revela que um terço dos suicidas tinha álcool no seu sistema e dez por cento tinham outras drogas, como opiacias, cocaina, maconha, ou anfetaminas. Os pesquisadores do CDC publicaram os resultados em 24/11/2006 no CDC's Morbidity & Morbidity Weekly Report. Para ver clique aqui.
Citação:
Karch, D, Crosby, A, Simon, T. (2006) Toxicology Testing and Results for Suicide Victims --- 13 States, 2004. MMWR Weekly, 55(46): 1245-1248.

Muitos suicídios são oportunistas e o álcool e outras drogas abrem janelas oportunistas. A combinação com circunstâncias facilitadoras, como as armas de fogo, pode significar uma tentativa ou uma morte. Não é uma participação menor: um de cada três suicidas, nessa pesquisa realizada em 13 estados americanos.
Infelizmente, não realizamos testes toxicológicos nas vítimas de mortes violentas. Ainda que, em consonância com pesquisas realizadas em diversos países, devamos encontrar uma percentagem elevada também no Brasil, e tenhamos encontrados dados em pesquisas pontuais realizadas no Brasil, precisamos monitorar esse fenômenos através de exames regulares.

Sublinho que o efeito direto sobre o suicida é apenas um dos caminhos através dos que o álcool e o alcoolismo aumentam a probabilidade de suicídio.
A venda de bebidas alcoólicas a algumas categorias de pessoas é crime - menores, por exemplo. Seguindo uma racionalidade empírica, a lista pode (deve?) ser ampliada e cobrir outras categorias em situação de risco.


11.06.2006

Mais sobre alcoolismo e Lei Seca: dados da Venezuela

A íntima associação entre o consumo de álcool e as mortes violentas não é novidade. Talvez seja uma das associações mais confirmadas empiricamente. Exames toxicológicos mostram a elevada alcoolemia em percentagem elevada de vítimas. Vejamos, além dos vários que já mostramos neste blog, um relatório sobre a Venezuela:

  • "El alcohol esta involucrado en el 50% de los homicidios y suicidios (MS, 2000) y el 40% de los accidentes de tránsito se deben a la ingesta de productos alcohólicos. Los estudios sobre la prevalencia del consumo de bebidas alcohólicas en el año 2003 reportan 31% de consumidores habituales de alcohol (CONACUID, MSDS y otros, 2003). La edad de inicio se ubicó entre 10 y 19 años; el estudio reporta que el 36,7 % inicia entre los 10 y 14 años y 48,21% inicia entre los 15 y 19 años de edad. La encuesta del CONACUID de octubre-noviembre del 2005 confirma los niveles de alcoholismo existentes."

Não há muito o que argumentar. O álcool é uma das principais condições facilitadoras das mortes violentas. Leis que restrinjam o consumo de álcool reduzem as mortes violentas, como demonstrado pelos dados de muitos, muito países.

11.03.2006

Redução de suicídios em Bogotá

As campanhas de segurança em Bogotá tiveram conseqüências para as taxas de suicídio, salvando inúmeras vidas. Há, pelo menos, duas medidas incluídas no pacote inicial de Mockus que contribuíram para baixar os suicídios: o fechamento dos bares e a proibição de vender álcool e o desarmamento.

Muitos suicídios são oportunísticos. Na depressão e, sobretudo, na bipolaridade o álcool pode contribuir diretamente, através do suicida, ou indiretamente, como reação ao alcoolismo de alguém mais ou como reação de alguém mais ao alcoolismo do suicida.


A redução de perto de um terço no número absoluto de suicídios entre 1999 e 2005 é, apenas, mais um benefício das medidas mencionadas.

Os dados mostram, também, que os homens (em azul) apresentam mais suicídios do que as mulheres (em laranja), em todos os sete anos para os quais obtivemos dados. Essas diferenças confirmam as que encontramos no Brasil.

Vidas humanas não podem depender de ideologia nem dos interesses do lobby da bala ou da indústria da cirrose